Página inicial / Notícias / Educação / Impacto da falta de reajustes no PNAE: poder de compra em queda

- Publicidade -

Impacto da falta de reajustes no PNAE: poder de compra em queda

Impacto da falta de reajustes no PNAE: poder de compra em queda
© Antônio Cruz/Agência Brasil

Desde o último reajuste, em 2023, o poder de compra do Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) caiu em pelo menos 8,8%. Este cálculo considera o Índice de Preços ao Consumidor dos alimentos, acumulado entre 2023 e 2024. O IPCA-Alimentos, indicador do IBGE, é utilizado para medir a inflação nos grupos alimentares e de bebidas.

O PNAE, reconhecido como um dos maiores programas de alimentação escolar do mundo, atende cerca de 40 milhões de estudantes em todo o Brasil e é considerado referência pelo Programa Mundial de Alimentos das Nações Unidas.

Atualmente, o valor repassado por dia a cada estudante da rede pública de ensino fundamental e médio é de apenas R$ 0,50. Este grupo concentra 27,8 milhões de alunos, correspondendo a 70% dos atendidos, e o valor pode variar dependendo da modalidade de ensino.

“A gente ficou muitos anos sem ter reajuste, sobretudo durante os anos do governo Temer e do governo Bolsonaro. Quando o Lula entrou, ele deu um reajuste significativo, mas depois disso não houve mais reajuste”, relembra Mariana Santarelli, coordenadora do ÓAÊ, o Observatório da Alimentação Escolar.

O aumento em 2023 foi, em média, de 34%, sendo que para os ensinos fundamental e médio, esse aumento foi de 39%, o que ajudou a recompor a inflação acumulada durante o período em que o programa ficou congelado. O último reajuste anterior a 2023 ocorreu em 2017.

Segundo Luana de Lima Cunha, assessora de políticas públicas da Fian Brasil, a organização pelo Direito Humano à Alimentação e à Nutrição Adequadas, o orçamento reduzido impacta diretamente a saúde e a aprendizagem dos estudantes e gera dificuldades para os responsáveis pela administração dos recursos.

“Imagina o desafio que é para uma nutricionista, uma cozinheira, uma unidade escolar, conseguir uma alimentação adequada de qualidade com 50 centavos por dia para um estudante”.

Além dos repasses do governo federal, estados e municípios também devem complementar esse valor com recursos próprios, mas nem sempre isso acontece. Um levantamento da ÓAÊ indica que mais de 30% dos municípios das regiões Norte e Nordeste não conseguem complementar os repasses desde 2022.

Para Mariana, mesmo com o reconhecimento internacional, o orçamento do PNAE ainda “está muito à mercê da vontade política dos governantes”. É necessário implementar mecanismos que garantam estabilidade à política: “O que a gente gostaria é que existisse algo que fosse independente das decisões do Congresso Nacional ou do Executivo Federal”.

“A gente pauta muito para que o orçamento seja atualizado a partir do IPCA-Alimentos e Bebidas, que é o melhor indicador para blindar contra a flutuação de preços dos alimentos e as defasagens oriundas dos processos inflacionários”, argumenta Luana.

Atualmente, o Congresso Nacional tem 15 projetos de lei em tramitação que propõem gatilhos para o reajuste automático do PNAE, mas todos estão parados.

Fernanda Pacobahyba, presidente do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), órgão responsável pela gestão do programa, destaca a importância da criação de gatilhos para atualizar o orçamento do PNAE:

“Somos muito favoráveis. Agora, é óbvio que o contexto orçamentário é um contexto de disputa. Então, estamos nessa disputa que passa pelo Congresso Nacional”.

Pacobahyba também menciona que outra alternativa para garantir a eficiência do programa é retirar o orçamento do PNAE da política de contenção de gastos públicos, o chamado arcabouço fiscal. “O PNAE está dentro do arcabouço. Alguns deputados falam até em colocar fora do arcabouço. Nós ainda não vimos isso acontecer, portanto, precisamos seguir as regras”, conclui.

Compartilhe

WhatsApp
X
Threads
Facebook
LinkedIn
Telegram

- Publicidade -


Últimas notícias