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Ministério da Fazenda reduz previsão do PIB para 2025: de 2,5% para 2,3%

Ministério da Fazenda reduz previsão do PIB para 2025: de 2,5% para 2,3%
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BRASÍLIA, DF E SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – O Ministério da Fazenda revisou sua previsão de crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) para 2025, reduzindo a expectativa de 2,5% para 2,3%. Essa mudança ocorreu em meio a sinais de desaceleração econômica observados a partir do segundo trimestre deste ano.

Além disso, as estimativas para a inflação também foram ajustadas para baixo. O IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) deverá registrar uma alta de 4,8%, ainda acima do teto da meta estipulada pelo Banco Central, que é de 3% ao ano, com uma tolerância até 4,5%. Anteriormente, a previsão era de uma variação de 4,9%.

As novas projeções estão detalhadas no Boletim Macrofiscal, divulgado pela SPE (Secretaria de Política Econômica) nesta quinta-feira (11). De acordo com o documento, o crescimento das concessões de crédito tem diminuído, com aumento das taxas de juros bancárias e da inadimplência.

Mesmo com a taxa de desemprego em seu menor nível histórico, a SPE reporta uma tendência de desaceleração na massa de rendimentos reais. Essa perda de ritmo é consequência das ações do Banco Central para controlar a inflação, que levou o Copom (Comitê de Política Monetária) a iniciar um novo ciclo de aumento da Selic em setembro de 2024, elevando-a de 10,50% para 15% ao ano.

A secretaria prevê que a desaceleração da atividade econômica continuará no próximo trimestre. Dados já indicam uma redução na produção da indústria e nas vendas do varejo, excluindo automóveis e materiais de construção.

Os efeitos das tarifas impostas pelos Estados Unidos às exportações brasileiras também devem acentuar a desaceleração, afetando a indústria e os investimentos. Guilherme Mello, secretário de Políticas Econômicas, mencionou que o índice de incertezas atingiu níveis elevados devido a essas altas tarifárias.

Ele acrescentou que a expectativa é de que o Federal Reserve (equivalente ao Banco Central dos EUA) reduza os juros americanos, o que poderia levar à desvalorização do dólar e à valorização do real. Essa situação foi resumida da seguinte forma: ‘Dólar mais fraco, outras moedas mais fortes e expectativa de corte de juros, impactando decisões em outros países, especialmente na América Latina.’

A SPE dedicou uma seção do boletim para analisar os efeitos do tarifaço, considerando 22 setores da economia, com o objetivo de entender as inter-relações entre produção, comércio, emprego e preços em economias abertas.

Os resultados indicam que as tarifas devem gerar uma queda de 0,2 ponto percentual no PIB entre agosto de 2025 e dezembro de 2026. Essa redução está relacionada à retração da demanda externa, impactando diretamente os investimentos. As exportações líquidas podem cair em 0,1 pp em termos do PIB, e a taxa de desemprego pode subir 0,1 pp no mesmo período.

Rafael de Azevedo Ramires, um dos coordenadores do boletim, comentou que um modelo foi utilizado juntamente com uma agência de desenvolvimento francesa para calcular os impactos do aumento das tarifas. Essa análise estima como alterarão as demandas pelos bens e serviços brasileiros, influenciando variáveis macroeconômicas como produto, emprego e inflação.

Segundo a secretaria, as iniciativas mitigadoras do governo, em um pacote denominado Plano Brasil Soberano, podem reduzir os efeitos negativos, limitando a queda do PIB a 0,1 ponto percentual e a perda de postos de trabalho para 65 mil.

Com as novas projeções, o desempenho previsto para o PIB em 2025 volta ao patamar projetado no início do ano, quando o crescimento também foi estimado em 2,3%. No entanto, o governo permanece mais otimista do que a média do mercado financeiro, que prevê um crescimento de 2,16% neste ano, conforme o Boletim Focus do Banco Central.

Para 2026, a projeção para o crescimento se mantém em 2,4%, com o IPCA projetado para 3,6%.

Essas variáveis macroeconômicas são cruciais não apenas como indicadores do desempenho econômico, mas também como referência para o governo em suas estimativas orçamentárias.

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