Página inicial / Notícias / Economia / Argentinos ignoram apelo de Milei e mantêm dólares guardados

- Publicidade -

Argentinos ignoram apelo de Milei e mantêm dólares guardados

Argentinos ignoram apelo de Milei e mantêm dólares guardados
© Tomas Cuesta/Getty Images

BUENOS AIRES, ARGENTINA (FOLHAPRESS) – O governo de Javier Milei tentou incentivar os argentinos a gastar seus dólares armazenados no colchão, mesmo sem declarar a origem do dinheiro. Entretanto, os resultados mostram que, em vez disso, os argentinos comprarem a maior quantidade de dólares em um único mês desde 2019.

Dados do BCRA (Banco Central da República Argentina) revelam que, em julho, as compras totalizaram US$ 3,41 bilhões, um aumento de 40% em relação ao mês anterior e o maior volume desde que as restrições à compra de dólares foram suspensas em abril. Essa é também a maior cifra em seis anos, desde que o governo de Mauricio Macri impôs limitações à aquisição da moeda.

No mesmo mês, 1,3 milhão de argentinos adquiriram dólares, apesar de sua cotação ter subido 13,8% comparado ao mês anterior. Em contraste, cerca de 576 mil pessoas venderam moeda estrangeira, totalizando vendas de US$ 367 milhões, uma diminuição de 7,35% desde junho.

Ao contabilizar as compras líquidas do setor privado, as saídas totais de divisas alcançaram US$ 5,43 bilhões. Desde o dia 14 de abril, quando as limitações à compra de dólares foram retiradas, a soma das aquisições de moeda estrangeira ultrapassou US$ 13 bilhões.

Essa demanda crescente foi, em parte, atendida por exportações agrícolas, que, entretanto, devem ser significativamente reduzidas no terceiro trimestre.

Desde cinco meses, um sistema de flutuação da moeda foi implementado, ajustando-se mensalmente com uma margem de 1%. Atualmente, o teto do dólar está em cerca de 1.471 pesos. A discussão sobre as tentativas do governo para controlar o preço do dólar e seu alto custo em relação à ineficácia aumentou desde fevereiro, quando a economia começou a mostrar sinais de desaceleração.

O ministro da Economia, Luis Caputo, fez ironias sobre as críticas referentes ao atraso cambial, sugerindo que os cidadãos aproveitassem a oportunidade para comprar dólares, uma afirmação que foi bem recebida por sua plateia de executivos.

Entretanto, a intervenção do Tesouro no câmbio, mesmo sem que a moeda tenha ultrapassado os limites estabelecidos, foi confirmada em setembro, apesar das previsões de Milei que indicavam um dólar próximo a 1.000 pesos.

Após perder quase 14 pontos percentuais nas eleições legislativas de Buenos Aires, o mercado reagiu, com o câmbio alcançando 1.467 pesos argentinos no dia 12 de setembro.

Especialistas afirmam que o governo deveria ter tomado medidas mais efetivas anteriormente, enquanto as receitas provenientes do setor energético e mineral estavam em alta. Agora, um aumento nas taxas de juros pode impactar ainda mais a economia.

O governo se esforça para evitar flutuações abruptas cambiais e suas repercussões na inflação antes das eleições nacionais, agendadas para o dia 26 de outubro. Após este evento, o mercado antecipa mudanças na política cambiária e uma possível depreciação do peso.

A consultoria 1816 alerta que a política econômica voltada para o eleitoral não é isenta de custos e seria surpreendente se o PIB não apresentasse uma queda no terceiro trimestre. Já a PxQ, com um relatório denominado “Da livre flutuação ao naufrágio”, destaca que 45% dos dólares adquiridos desde o fim do ‘cepo’ permanecem guardados, enquanto outro percentual foi utilizado para pagamentos de cartões de crédito, investimentos, ou na compra de dólares no mercado oficial para revenda.

A CP Consultoria aponta que, desde antes das eleições, a prioridade do governo tem sido o controle da inflação, resultando em uma economia que chega em outubro em queda, com redução nos salários e diminuição do crédito disponível.

No dia 12 de setembro, Caputo anunciou um afrouxamento da política monetária, permitindo um leve aumento no consumo, mesmo que houvesse riscos para o dólar e a inflação.

Compartilhe

WhatsApp
X
Threads
Facebook
LinkedIn
Telegram

- Publicidade -


Últimas notícias