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PLANOS, METAS E AUTOCOBRANÇA

Início de ano é um período em que grande parte das pessoas fazem planos, estabelecem metas e traçam objetivos a curto, médio e longo prazo. Nesse contexto, é natural que surja a autocobrança. No entanto, dependendo da forma como lidamos, ela pode trazer prejuízos à nossa saúde emocional.

A autocobrança faz parte da experiência humana. Em certa medida, ela pode funcionar como um motor para o nosso crescimento. Contudo, quando se torna excessiva, rígida e punitiva, ela passa a impactar negativamente em nossa saúde mental. Pessoas com altos níveis de autocobrança tendem a ter pensamentos como: “eu deveria dar conta de tudo’’ ou “não posso errar’’. Esses pensamentos muitas vezes estão associados à ideia de que o valor pessoal depende exclusivamente do desempenho ou da produtividade. A partir disso, qualquer falha, atraso ou limite é interpretado como fracasso, o que pode gerar culpa, ansiedade e frustração. Cabe o questionamento: será que essas exigências são realistas? Será que cobramos a nós mesmos da mesma forma que cobraríamos alguém que amamos?

O ponto central nesse processo é o estabelecimento de metas realistas. Às vezes, estabelecemos metas quase inalcançáveis ou pouco flexíveis, o que pode reforçar a sensação de inadequação. Metas saudáveis devem considerar vários fatores, como o contexto, individualidades, recursos emocionais, tempo disponível e, principalmente, a possibilidade de ajustes ao longo do caminho. Outro aspecto fundamental é o reconhecimento de nossos limites. Ter limites não é sinônimo de fraqueza, mas sim de autoconsciência. Reconhecê-los e respeitá-los é uma forma de autocuidado.

É necessário que olhemos para nós mesmos de uma maneira mais leve. Isso não significa falta de compromisso ou acomodação, mas sim o desenvolvimento da autocompaixão. É preciso permitir-se errar, aprender, recomeçar e entender que o processo é tão importante quanto o resultado. Devemos substituir a autocrítica severa por pensamentos mais funcionais, realistas e acolhedores. Quando aprendemos a flexibilizar a autocobrança, criamos espaço para uma relação mais saudável conosco, baseada em respeito, equilíbrio e bem-estar emocional.

 

Larissa Souza e Silva

Psicóloga – CRP 04/53514

Pós-Graduada em Saúde Mental, Psicopatologia e Atenção Psicossocial

@larissasouzapsi

[email protected]

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