Preocupados com a falta de recursos federais, prefeitos de dez consórcios intermunicipais de saúde em Minas Gerais levantam um alerta sobre o risco de paralisação do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU). De acordo com os gestores, os valores enviados pelo governo Lula estão aquém da demanda e não correspondem ao necessário para a manutenção adequada do serviço.
O prefeito de Barbacena, Carlos Du (PSD), que preside o Consórcio Intermunicipal de Saúde da Rede de Urgência Centro-Sul, reclama que o ideal seria que a divisão dos custos fosse de 50% da União, 40% do estado e 10% dos municípios. Porém, ele afirma que os consórcios têm arcado com valores superiores aos previstos, enquanto o governo federal repassa menos do que o necessário.
“Em todos os dez consórcios de Minas Gerais, os municípios estão pagando mais para manter o serviço. O estado tem cumprido sua parte, mas a União não chega nem perto do que deveria repassar. Isso está nos estrangulando”, disse Carlos Du.
Ainda segundo o prefeito, o déficit estimado para o ano é de R$ 54 milhões. Essa realidade afeta, entre outras coisas, a capacidade de oferecer salários justos aos condutores socorristas, que recebem entre R$ 1.500 e R$ 1.800, sendo frequentemente forçados a realizar jornadas duplas para complementar a renda. “Esses profissionais são os primeiros a chegar nas ocorrências, executam múltiplas funções e não são devidamente valorados”, criticou.
O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, repudiou as alegações dos prefeitos durante uma agenda em Minas Gerais, afirmando que não há repasses abaixo do estipulado por lei e acusando-os de espalharem informações falsas. Ele destacou que em 2023 houve um aumento de mais de 30% nos repasses para o SAMU, o primeiro em uma década.
“É falso afirmar que o governo federal repassa abaixo do piso constitucional. Não existe piso constitucional para o SAMU. Vamos seguir acompanhando, mas não dialogaremos com mentiras”, afirmou Padilha.







