A deputada federal Carla Zambelli (PL-SP) qualificou a decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que resultou em sua prisão, como “ilegal, inconstitucional e autoritária”. Em nota, a parlamentar destacou a gravidade de uma medida tão contundente tomada de forma monocrática, ou seja, por um único magistrado.
“Nossa Constituição é clara: um deputado federal só pode ser preso em flagrante e por crime inafiançável. Isso não ocorreu. Um único ministro rasgou o devido processo legal, ignorou a imunidade parlamentar e violentou a democracia”, expressou Zambelli.
A deputada também criticou a abrangência das medidas impostas por Moraes, incluindo a restrição a seus familiares. O ministro determinou o bloqueio das redes sociais de sua mãe, Rita, e de seu filho, João, os quais também atuam politicamente. Zambelli descreveu essa decisão como um “ataque” à sua família.
“Vou denunciar esse abuso, essa perseguição e essa escalada autoritária em todos os fóruns internacionais possíveis. O mundo precisa saber que, no Brasil, ministros do Supremo agem como imperadores, atropelando leis, calando vozes e destruindo famílias. Essa perseguição política está apenas começando a ser exposta”, completou a parlamentar.
Entenda a decisão de Moraes
O ministro Alexandre de Moraes ordenou a prisão de Carla Zambelli após a parlamentar deixar o país. Zambelli informou que se encontra atualmente nos Estados Unidos e planeja ir para a Itália, onde também possui cidadania. Esse gesto foi interpretado como uma tentativa de fuga após a condenação de 10 anos de prisão por contratar o hacker Walter Delgatti Neto para invadir o sistema do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e inserir documentos falsos.
Além da prisão preventiva, Moraes determinou:
- Bloqueio de passaportes, contas bancárias, veículos e imóveis da parlamentar;
- Suspensão dos salários e verbas do gabinete na Câmara;
- Bloqueio de redes sociais da deputada e de seus familiares, com multa de R$ 100 mil por dia para as plataformas que não obedecerem a ordem;
- Multa de R$ 50 mil para cada publicação que reitere condutas consideradas criminosas;
- Inclusão do nome de Zambelli na lista vermelha da Interpol para possibilitar pedido de extradição;
- Nomeação da Defensoria Pública da União para defender a parlamentar, após a renúncia de seus advogados.







